13 de abril de 2019

Em digitais e nada mais

É como se meu corpo tivesse virado espelho e no reflexo vejo as marcas que foram deixadas aqui,
algumas me lembram momentos tão bons, algumas me fazem colidir.
Estou no chão tentando entender em que momento meu coração foi avisado,
que nada disso seria tão bonito, que nenhum sonho se realizaria, que as chamas se apagariam.

Quando foi a última vez que me permiti ser marcada por pequenas digitais?
Que falavam sobre amor, dor, raiva, ódio e muito mais,
me fechei em um quarto sem saída, embora tenho entrado pela mesma porta,
mas tudo tem se tornado tão difícil agora, não é mais hora de ir embora.

É que todo mundo que passa por mim e vai passando, passando e passando,
deixa um pequeno toque, um pequeno sonho, um pequeno desejo,
mas meus medos não me permitem voar mais alto,
eu cheguei ao meu limite aqui.
Eu não consigo mais voltar pra mim.

Como isso não foi visto? Como esse acidente não foi relatado?
Cheia de digitais, marcas de um passado que já não consigo esquecer,
meu presente vem passando tão lentamente, como uma canção silenciosa,
eu não me vejo no futuro.
As digitais permanecem aqui,
mas eu já não habito em mim.