13 de abril de 2019

Auxílio

Eu acreditando em tudo, desafiando o mundo e garantindo que não ia me machucar,
mas a vida me nocauteou mais uma vez e agora eu já não tenho tanta força de me levantar,
é como se a vida nunca permitisse que eu mudasse de lugar,
fosse sempre um mero auxílio de quem precisa, mas nada além disso.
Nunca serei além disso.

É como se quando finalmente encontrasse um lugar no ônibus,
a vida respondesse com um aviso de "reservado",
e novamente a minha escolha não vai ser ouvida,
sou apenas uma testemunha muda de um crime que nem sei se cometi.

Há tantos medos e marcas que não cuidei,
vejo olhos ao redor se aproveitando disso, e eu achando que falar sobre isso iria ajudar,
mas são palavras que outra pessoa irá usar e infelizmente usará contra mim.
De novo acorrentada em meu passado, meu coração quebrado,
minh'alma se deixando levar.
É no fundo do poço. É o fundo do poço que é meu lugar.

Em digitais e nada mais

É como se meu corpo tivesse virado espelho e no reflexo vejo as marcas que foram deixadas aqui,
algumas me lembram momentos tão bons, algumas me fazem colidir.
Estou no chão tentando entender em que momento meu coração foi avisado,
que nada disso seria tão bonito, que nenhum sonho se realizaria, que as chamas se apagariam.

Quando foi a última vez que me permiti ser marcada por pequenas digitais?
Que falavam sobre amor, dor, raiva, ódio e muito mais,
me fechei em um quarto sem saída, embora tenho entrado pela mesma porta,
mas tudo tem se tornado tão difícil agora, não é mais hora de ir embora.

É que todo mundo que passa por mim e vai passando, passando e passando,
deixa um pequeno toque, um pequeno sonho, um pequeno desejo,
mas meus medos não me permitem voar mais alto,
eu cheguei ao meu limite aqui.
Eu não consigo mais voltar pra mim.

Como isso não foi visto? Como esse acidente não foi relatado?
Cheia de digitais, marcas de um passado que já não consigo esquecer,
meu presente vem passando tão lentamente, como uma canção silenciosa,
eu não me vejo no futuro.
As digitais permanecem aqui,
mas eu já não habito em mim.

12 de abril de 2019

Eu e minha mania boba de viver e acreditar

Acredito quando as pessoas expressam sentimentos, mesmo não tendo nem um pouco de humanidade. Quando pedem segundas chances, quando tentam refazer, quando se esbarram nos karmas da vida, Acredito que elas tenham um caminho, uma rota, uma missão a cumprir. Acredito que nem todo mal venha pra punir, nem toda dor te faça desistir, nem todo o amor te ajude a evoluir. Acredito que as angústias sejam parte de um esquema ao invés de serem problemas derramados em pequenos e singelos divãs. Acredito que toda fé é válida, toda crença é capaz de transformar uma vida, que toda lágrima define a dor de uma partida. Acredito tanto nas mentiras que me falaram, das vezes que me enganaram, mesmo ciente de que levaram um pedaço de mim, Assim como acredito que meus pedaços espalhados darão raiz daquilo que tenho em meu coração. A fé. A fé de acreditar que as pessoas não são maldição, de que tudo pode ser lição, de que angústias não serão apenas lágrimas derramadas em um colchão. Eu acredito na minha maneira de acreditar, enxergar o mundo por uma nova desculpa de estágio lunar, que influencia muito mais do que da pra imaginar. Acredito em fases, experiências, expectativas e objetivos. Acredito em resolver problemas com respeito e coisas que giram em torno disso. Eu tenho uma mania tão pequena de acreditar, que pra mim o maior problema é desacreditar.

9 de abril de 2019

Massa de modelar

E nesses dias sombrios eu ando com tanto medo de mim,
já não me olho mais no espelho, já não espero mais nada.
As pessoas ficaram paradas enquanto eu me segurava sem muita vontade na sacada,
meu corpo pedia socorro, meu coração pedia ajuda, mas tudo estava tão sombrio.

E essa voz tão sussurrada garante que não irá acontecer nada,
que não há nada que se possa fazer para o que vai acontecer,
que não existem mãos para segurar meu coração,
que os desesperos são apenas passageiros de um trem que já partiu.

Não existirá mais nada a fazer nessa situação,
não tem mais onde me colocar, não tem mais porquê continuar,
as chances se acabaram e eu já não sei se quero mais.
Meu corpo está todo dolorido, corroído, moído por esse rolo compressor que a vida se tornou.

E em algum momento eu achei que não estava mais perdida,
mas sempre serei testada e surpreendida pelo que a vida pode fazer comigo.
Eu não posso esperar que as lágrimas convençam meu corpo de ficar,
eu só quero que alguém olhe pra mim e tente me ajudar,
porque essa vida tá acabando comigo.

Estou tão longe do raso, estou tão longe do início,
eu já não tenho mais força para continuar, as peças não se encaixam.
Eu nunca vou me encaixar.
Eu sou apenas um adesivo cinza que segura a embalagem de coloridas massas de modelar.

7 de abril de 2019

Dona Lenilda

De longe um aviso, uma música cantada por um pequeno pássaro,
que grita que tudo vai ficar bem, pois ele viu, ele bem viu.
E vejo um sorriso de longe, no canto da parede e uma presença tão forte,
minha espiritualidade se desenvolve e devolve o sorriso.

Ela se foi, mas ainda está comigo, me guia, me ensina e me conduz,
eu acho que jamais existirá alguém com tamanha luz.
Aquela senhora com os óculos redondos, nas mãos búzios e anéis,
nos braços pulseiras e um costume de vestir tudo em um tom.

Sua voz é o meu som, sua risada é minha fé, seus sussurros são minha calma,
ela direciona e lava minha alma, me protege com um amor sem medida,
essa senhora que se foi nesta vida, mas em espírito ela continua tão presente,
que meu coração sente que não existe mais o medo, não existe mais a ansiedade,
seu jeito de sambar, seu jeito de cantar alto me dão saudade.

Ainda lembro de como rezava tão rápido,
como benzia com alegria, como estourava com facilidade,
mas naquele coração não habitava nenhuma maldade.
Eu agradeço a Deus por ter herdado algo tão seu,
hoje o coração dela se torna meu.

30 de março de 2019

Em pequenos tons

Existem tons de cinza e sonhos tão esquecidos que o coração não se aquieta,
a vida machuca, bate, derruba e quando nos reerguemos alguém vem nos magoar.
A vida tem seus tons, sons e modos de dizer que você ainda não é forte o bastante,
mas quem disse que a vida sempre vai acertar?

Os travesseiros vão ficar encharcados, os sorrisos serão molhados,
os medos se tornarão pesadelos e sua dor vai parecer incurável. 
E em algum momento você vai acreditar que perdeu o chão,
mas é com os tons escuros que alinhamos a razão. 

Os dias vão ficar tão difíceis e as cores vão perder a graça, 
e você vai perceber que mesmo quando você está no chão a vida passa,
e joga na sua cara que é preciso ter determinação pra continuar pequenos sonhos.
Segure minha mão, menina, eu te proponho recomeçar. 

E somos feitos de recomeços, feitos de tropeços,
feitos de pequenos espaços e lacunas que as situações podem causar,
mas as dores da vida são causadas pra gente entender que não devemos parar.
Algumas dores vão te deixar no chão, outras dores vão te levantar.

29 de março de 2019

Restrinjo-me

Os sentimentos de depressão pressionam meu ser constatando a minha inutilidade,
incertezas tão certas que minhas verdades se tornam mentiras que sempre contei.
Encostada na parede e com uma pequena lâmina nas mãos sinto o sangue correr,
escorrer e discorrer meus sentimentos, meus sonhos, meus pensamentos agora tão negativos e desesperançosos.

O exterior grita aquilo que o interior não quer e nem consegue ouvir,
sou tão estável quanto a água quando a temperatura muda repentinamente e repetidas vezes.
A minha inutilidade, minha incapacidade, minha capacidade e minhas angústias apelam para palavras que eu nunca quis ouvir.
embora o tempo passe sem demora eu sou aquele sentimento que apavora o sorriso mais perfeito de uma atriz.

As dores são tão profundas, que por mais que o mundo pareça fácil, tudo se torna tão complicado
e apavorante pra mim,
algumas bocas decretam ser frescura, que vivo uma ditadura de sentimentos ruins.
Restrinjo os meus pensamentos, não aproveito os momentos, faço músicas que nunca permitirei que os bons ouvidos cheguem a ouvir.

Os sentimentos de solidão acusam minha falta de coragem de conectar-me com os que estão ao meu redor,
alguns medos são maiores que a dor de estar só,
os cortes tão marcados e mal cicatrizados me lembram de quantas vezes eu me perdi.
Eu já não sou risonha, eu já não sou conselheira, eu sou apenas um espelho que não reflete nada, que não reflete mais ninguém.
Eu sou tudo o que não convém.

23 de março de 2019

Tênue

E a menina desenha as marcas que traçam seus pulsos e braços,
passado que se passa num presente tão dolorido e cruel.
A menina que tem um choro amargo, uma dor aguda e uma intensidade sem igual,
olha para o céu e pede atenção, pede um pequeno sinal, ela quer ter novas coisas para dizer.

Em sua pequena fortaleza se isola de tudo o que já lhe machucou,
e mesmo em prantos internos, ela sorrir o seu exterior e enche um pouco os vasos tão vazios que circundam o seu meio.
E no meio do seu coração uma cicatriz tão profunda que lhe afunda em sentimentos sombrios e ansiedades tão vagarosas e tardias que paralisam, aceleram e tantas contradições que a vida puder lhe oferecer.

A mulher que desejava um arco-íris, passou por tantas tempestades que já não tem mais pressa de viver o clichê, as marcas já não trazem tanta angústia.
E a ansiedade já não lhe afeta mais.
O crescimento de sua felicidade é assustador, um jovem espírito que carrega tanta sabedoria, que ao ver a alegoria de sofrimento trazida pela menina - jaz no passado - apenas lhe traz a certeza que o presente realmente é uma dádiva que está descrita na tão vã e inocente poesia.

E seus pulsos, coração, mente e razão se deixam dominar pela emoção,
pulsam em busca de uma moção que faça o chão se tornar um passo do céu.
Eis que a mulher acena para a menina dando a certeza que as marcas serão apenas detalhes,
tão meros detalhes de todo o amor que ela permitiu sentir,
grandes detalhes que só deixaram a menina com o mais profundo amor.
E em segredo confessa que amar dói, mas algumas dores são apenas impulsos para fortalecer a mulher que habita que naquele pequeno e franzino corpo de menina, que por um momento acreditou que era uma sina ter asas e não voar.
É, menina, hoje és a mulher que sabe quanto dói amar.

19 de março de 2019

Em meu abstrato tão concreto

Então o medo domina meu corpo sujeito a desgosto quando penso em te perder,
você é a luz que irradia minhas emoções, tentações e desejos,
em tua boca me perco com tempo de beijos e no teu corpo que faço morada,
vem que eu sou tua parada, teu abrigo e teu lugar.

Embora esteja com tanto medo do quanto meu coração te pertence,
peço-lhes caridosamente que tente, tente entrar na minha vida e se afogar nesse meu mar,
meu jeito de amar, um jeito tão único que parece tão seu.
É que nas palavras eu te encontro, na nossa vida um desencontro, no meu coração seu nome a pulsar, gritar, chamar e clamar para ver as cores dos seus olhos bem de perto.

Você me embala, me cala, me gela, me afeta, me toma, me torna, me abriga,
me faz uma menina que nasceu para se entregar somente a um amor,
e este amor seria você, baby.
Eu sinto o abstrato neste mundo tão concreto e completo quando somos nós,
e não quando somos somente você e eu.

17 de março de 2019

Um abismo entre você e eu

Ainda tem os sons dos seus sorrisos, seu toque e sua presença,
ainda existe suas desculpas, seus olhos, seu hálito quente e seus planos.
O passado ainda está tão presente, que o futuro se dissipa num cálido sorriso meu,
esse sentimento é tão estranho quanto as suas meias verdades e os seus disfarces.

As minha saídas entram em sua vida, sua volta, seus pesadelos e sonhos,
te olho tão estranho, meu coração pulsa tão intensamente que chega ferir.
Sinto meu estômago embrulhar quando te vejo tocar alguém que não se encaixa em seus braços como eu me encaixaria.
Não existe mais nada seguro do que tudo o que construí e planejei para você.
Você não precisa entrar na minha vida, você só precisa ouvir que não ficou para trás.

Não disfarce e nem desfaça esses vãos e coisas não ditas,
não existe mais nada entre esse abismo, você e eu.
Aliás, nunca existiu você e eu. Existia apenas meu coração fugindo e
você se aproximando, me colocando no reflexo dos seus olhos e ferindo meus desejos.

Você não faz ideia do quanto deixou revirado os sentimentos dentro de mim,
virei apenas uma contradição de amar intensamente alguém,
você se tornou tão estranho, e até mesmo sendo estranho tem um pequeno controle sobre meu ser.
Acabou sim, acabou, mas tudo aquilo que escrevemos foi verdade ou nunca interessou?
Esconderei minhas verdades, acreditarei nas suas mentiras e assim seguirei em frente.