Chegou minha vez, e não vou ceder. Não vou pensar. Com a arma nas mãos me sinto seguro, até estranho a sensação. Mas eu gosto - e gosto muito - disso. Imaginando quem será minha vítima, meus amigos sorriem, não acham que vou acertar. Jogam um dado para cima. Ao invés de números, tem partes do corpo que posso atingir. Quando o dado cai na mesa, a escolha foi fácil. Tenho que atingir a palma da mão. Agora, vou até os papéis pra sortear minha vítima. Se sair meu nome, terei que dar a arma a pessoa que mais confio e me colocar no alvo. As mãos querem tremer, mas mantenho-me concentrado. Ao colocar a mão na caixa, tiro o papel mais enrolado. Ao puxá-lo, não me surpreendo. Meu nome estava escrito nele. Dentre cinco pessoas, escolho alguém de minha confiança. Collin. O conheço há 10 anos. Ele ficou sério, não queria que o escolhesse, mas ele sabia que eu o escolheria. Passo a arma para ele. Ainda estou seguro, quieto. Collin me olha nos olhos, e eu apenas aceno com a cabeça, passando confiança para ele. Encostado na parede, posição de "redenção", olho fixamente para o cano da arma, levanto o braço e o coloco no alvo. Fecho os olhos e me mantenho sério, ao contrário dos meus amigos que sorriem, sabendo que Collin acertará. Ele gira o tambor da arma, encaixando-a sem nem olhar para mim ou para a arma. Ele estava fisicamente ali, mas não emocionalmente. Colocando o dedo no gatilho, Collin dispara a arma. Desta vez, eu ganhei. Respiro normalmente, olho nos olhos de Collin e digo sem piscar. “Roleta Russa”.
4 de março de 2011
Vidro Fumê .
São 4h horas e não consigo domir. Meu celular toca e, dessa vez, eu corro desesperada para atender. "Número desconhecido", quem será que me liga a essa hora? Ao atender, ouço somente uma respiração seguida de um "alô" quase sussurrado. É você. Meu coração dispara, parece me machucar. Abraço o travesseiro porque sinto que ele bate tão forte, que você poderá ouvir. Eu digo, de uma forma quase fria:
- Oi, aconteceu algo?
- Sim, aconteceu!
- O que?
- Percebi que estou sem você!
Silencio. Era tudo o que eu queria ouvir, mas não acreditava que sairia da sua boca de uma forma tão sincera, aparentemente.
- Preciso te ver, por favor. Eu te imploro.
- Olha J., eu não sei se isso vai terminar bem, você não pode ficar brincando assim.
- Eu não brincaria com alguém que amo.
- Onde você quer me ver?
- Vamos caminhar na praia?
- Pode ser. Que horas?
- Eu te pego na sua casa, afinal, pela manhã não tem ninguém aí não é?
- Então vou te esperar. Até amanhã.
Se eu não estava conseguindo dormir, pode imaginar após sua ligação? Meus olhos lacrimejavam ao imaginar nossas mãos finalmente cruzadas, traçando nosso caminho na praia e, talvez, em qualquer outro lugar.
Amanhece. Às 8h, você me manda uma mensagem, avisando que chegará em menos de cinco minutos. Ansiosa, já estou pronta e com tudo arrumado. Devagar, seu carro para na porta. Notei que você colocou vidros fumê. "Por que esse mistério?". Você desce o vidro do banco do carona, olha pra mim todo sorridente e me chama. Tento ficar séria, mas a tentativa é vã. Entro no carro, e você me cumprimenta. Segura meu queixo e me beija. Apenas correspondo. Sem graça, eu te digo para se apressar. Não quero que os vizinhos comentem depois.
Chegando na praia, você segura minha mão. Caminhamos como namorados. Parece um sonho. Tudo ocorrendo bem, da forma que eu sonhei. Você me segura pela cintura, me abraça e, baixinho no meu ouvido, diz que me ama e que nunca me esquecerá. Tento entender a frase, mas você me beija e desta vez eu não queria pensar em nada. Sinto que será nosso último beijo. Ficamos tanto tempo lá, segredos que só o mar e nós saberemos. Após alguns minutos, você olha em meus olhos e diz:
- Ellen está grávida, e o pai dela disse que ela deve casar.
Ellen, sua namorada, parece que ainda existe... e eu perderei você.
- Hã? Então porque você fez esse dia se tornar tão ...
Você não permite que termine a frase, e diz:
- Eu te amo. Eu te amo muito, e tinha que me despedir de você porque casarei amanhã.
Sem fôlego, perco o chão. Sem jeito, tento pensar, mas não consigo. Todas as cenas inundam a minha cabeça, e eu não consigo falar nada, apenas te ouvir.
- Casarei com ela amanhã e vou morar na cidade do pai dela que fica a mil quilômetros daqui. Mas deixarei com você o meu coração.
Mando você ir embora. Sem pensar em mais nada, eu pego um táxi e peço pra me deixar no parque. Me deito na grama e começo a pensar. "Eu te perdi".
Você me liga desesperado, perguntando onde estou. Decido fazer esse dia terminar totalmente bem. Mesmo sabendo que seria o nosso último dia, mando você ir até o parque. Passamos os dias juntos. Celulares desligados. Somente nós dois.
Conversamos, nos divertimos e fizemos tudo que devíamos fazer, como se nada fosse acontecer amanhã. No carro, o último adeus. Minhas lágrimas caem, e as suas também. Mas dou um último sorriso alegre, e você também. Um mês depois recebo uma ligação da sua mãe me informando que você havia falecido devido a um câncer que não queria que eu soubesse. Você não queria me ver sofrer. Ela me diz que você havia deixado cartas, fotos, tudo de nós dois numa caixa, e que eu deveria ir buscar...
Nesse momento, paro e percebo. Eu realmente te perdi.
Silenciando minha voz, meu coração e minha vida, escrevo na parede do seu quarto:
"28/05/2001. Será eternamente nosso segredo."
Insegurança segura .
Envolva-me como se fôssemos um, como se nunca mais houvesse motivo para separação.
Envolva-me como a minha escrita, afagando-me com papéis que me tornam uma escritora tão fanática por amor.
Estranhe-me e não deixe que eu me jogue ou me perca.
Estranhe-me e não permita que eu tenha uma vida inacabada.
Não disfarce esse seu olhar, afinal, sei o que você quer.
Esse coração tão machucado ainda insiste em resistir, mas a razão diz apressadamente que é melhor parar aqui.
Já não faz sentido amar ou não amar; quero apenas me envolver.
Sentimentos logo chegarão, aí poderemos discutir o que acontecerá.
Somente neste momento, quero me perder um pouco, me deixar fazer, me deixar querer, sem motivo algum.
Agora, quero estar contigo, te chamar de amigo ou algo parecido com aquilo que você vai se tornar.
Não, não há razão para olhar pra trás.
Você também se machucou muito, mas não vou prometer cuidar de você.
Não, não tenha medo; vamos nos entregar e, neste quarto escuro, jamais saberão o que aconteceu.
Na minha insegurança, posso estar segura.
Em seus olhos castanhos, vejo toda a amargura.
Não tenha medo do que acontecerá, estamos sós!
Ninguém atrapalhará.
Vem sem medo, que eu te ensino como se envolver,
Sem se machucar .
1 de março de 2011
Estranhamente meu.
Depois de uma noite de briga, a madrugada veio nos acalmar. Em seus braços, ganho beijos que me fazem dormir. Entre carinhos e palavras, você se mostra totalmente meu, sem inibição alguma, sem medo. Mostra-se livre pra dizer tudo aquilo que não dissemos em outros instantes, em outras lembranças. Agora, sou totalmente sua. Você se cala e somente olha em meus olhos. E nos seus, vejo indagações que criei, vejo certezas que dei e negações que afirmei. Você sorri, confirmando que sempre estará por perto. Nos comunicamos por nossos olhares, e isso mostra que você é estranhamente meu. A madrugada se espreguiça, e a manhã logo chegará. Então, em meus sonhos, te guardo e prometo ir te buscar.
28 de fevereiro de 2011
Nessuno capirà .
Em meu quarto, desenho um futuro somente meu.
Não há nada que consiga me atrapalhar.
Em meu espelho, vejo um reflexo que não desenhei para mim.
Talvez eu nem mais conheça quem é esse alguém no espelho.
Desenhando na areia da praia,
Ouço o som tocado pelo mar. Isso me acalma.
O desespero se fora, por enquanto.
A dor da perda me permite respirar, um pouco!
Mesmo que apague isso,
Ainda estará dentro de mim.
Mesmo que eu não queira vê-lo,
Ainda permanecerá aqui.
Existem novas certezas em mim.
Embora tudo tenha um novo peso e uma nova medida,
Sei que é a decisão mais certa.
As lágrimas caem em descontrole absoluto. Não as evito.
As pessoas passam, as ondas quebram.
Minhas lágrimas ardem, flamejam.
Esse torpor me sufoca,
Mas desta vez, a decisão é a certa!
Em luto, percebo que te matei dentro de mim.
26 de fevereiro de 2011
O que importa .
Essa mania que me domina, que me toma, que me deixa sem força.
Esse desejo que me corrói, me destrói e desfaz meus planos.
Essa loucura de não poder, mas mesmo assim querer.
Prefiro encarar uma realidade minha, somente minha.
Prefiro desejar algo que não me pertence, mas é meu.
Quero aquele sonho mais impossível, aquele adeus mais desprezível.
Não importa o que separa, o que distancia, o que não aceita
Não importa o que atrapalha, o que não queremos, ou o que queremos
Quero, quero e quero, e nada pode dizer que não terei.
Eu quero viver um sonho sem sentido,
Eu quero ter um amor mal resolvido
Eu quero estar perto, quando estiver longe
Eu quero deixar no chão as suas lágrimas.
Por favor, não me faça explicar o que sinto
Por favor, não tire conclusões sobre mim
Sou feita em pedaços do que é bom e do que parece ser ruim.
Não importa o que escrevo, o que penso ...
O que importa é quem quero e vou atingir.
Esse desejo que me corrói, me destrói e desfaz meus planos.
Essa loucura de não poder, mas mesmo assim querer.
Prefiro encarar uma realidade minha, somente minha.
Prefiro desejar algo que não me pertence, mas é meu.
Quero aquele sonho mais impossível, aquele adeus mais desprezível.
Não importa o que separa, o que distancia, o que não aceita
Não importa o que atrapalha, o que não queremos, ou o que queremos
Quero, quero e quero, e nada pode dizer que não terei.
Eu quero viver um sonho sem sentido,
Eu quero ter um amor mal resolvido
Eu quero estar perto, quando estiver longe
Eu quero deixar no chão as suas lágrimas.
Por favor, não me faça explicar o que sinto
Por favor, não tire conclusões sobre mim
Sou feita em pedaços do que é bom e do que parece ser ruim.
Não importa o que escrevo, o que penso ...
O que importa é quem quero e vou atingir.
19 de fevereiro de 2011
Caso .
Diga que jamais tivemos algo sério. Diga cada palavra olhando em meus olhos e segurando minha mão. Permita-me partir.
Diga que jamais fui alguém que você sentiu um carinho incondicional. Diga cada palavra segurando minhas cartas, nossas fotos e escondendo nossos segredos.
Prometa que nunca mais vai pensar em mim, e que não mais me fará lembrar você.
Prometa que todas aquelas noites, dias, tardes, madrugadas serão esquecidas como um dia qualquer, como um monótono dia sem os beijos que somente sua boca poderia dar.
Agora, cumpra a promessa de jamais beijar, tocar e amar alguém como você fez comigo.
11 de fevereiro de 2011
Chegue .
Desejo de te ter, te roubar
Vontade de te ver, te conquistar.
Menino, não me olhe assim
Não disfarce que eu já te tenho pra mim.
Vem, beba-me como o mais caro vinho.
Chegue, dá-me todo o seu carinho,
Que eu ando por seu caminho, sem querer voltar.
7 de fevereiro de 2011
Meu anjo, meu amor .
Entre em minha vida e tome meu ser.
Seja meu anjo, amor. Seja meu amor, anjo.
Entre esse seu sorriso e suas lágrimas, eu estarei.
Entre teus sonhos e seus pesadelos, eu permanecerei sem temer o que virá.
Entre em minha vida e tome meu ser.
Desconserte meu eu, meu destino, meu rumo.
Desfaça meus sonhos e os meus desejos se renderão.
Entre em minha vida e tome meu ser.
Você já entrou e modificou o que sinto.
Você já chegou e me mostrou o paraíso.
Você é digno desse amor ilógico, tome-o para você.
Seja minha vida, seja meu ser.
2 de fevereiro de 2011
Minha psicose .
Perto do fim, à beira do abismo.
Quando não há mais sentido, lanço-me sem pensar, e deixo que minhas asas façam-me voar (se elas existirem).
Perto do fim, à beira do abismo.
Sentimentos que não posso descrever; a loucura que pertence ao meu ser, nada que faça sentido em mim.
Perto do fim, à beira do abismo.
Posso me destruir agora.
Já não preciso ser o que concluíram, já não preciso ser o que dizem que sou, já não preciso.
Perto do fim, à beira do abismo.
Pulo de braços abertos, sinto o vento me tocar.
Fecho os olhos e repouso nos braços da morte e permaneço desejando voar .
Perto do fim, à beira do abismo.
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