28 de junho de 2026

Quatro partes em mim, (por)fim.

Eu não preciso de um discurso dramático, não preciso ser vítima nas minhas palavras,

Eu já estou bem ciente das cicatrizes e de onde machuca, eu não vou mais pedir desculpa pelas pessoas que me tornei,

Eu sou tantas em uma.

Qual você vai querer dessa vez?

Aquela que aceita seus erros, apaga os danos e sorri com lágrimas nos olhos?

Aquela que chora gritando no travesseiro e pedindo para que a vida pare, e que respire somente mais  uma vez?

Aquela que esquece todas as feridas e fala seu nome como uma música de ninar?

Ou seria aquela que aguenta suas mudanças de humor como algo rotineiro?!


Me diga de uma vez que o seu maior arrependimento é ver em meus olhos ainda brilhado com vida,

Que se tudo tivesse sido interrompido naquele ano um tanto distante você estaria completo.

Eu não sou sua filha, eu sou seu favor, eu sou sua obrigação, eu sou seu erro, eu sou seu estrago, eu sou o seu lado ruim olhando de volta pra você tentando te fazer ser ou ter algo de bom.

Quando volto ao controle me pergunto se tem algo de bom aí dentro ou o tempo levou?

Seu sorriso não transparece felicidade.

Você me abraça e eu, de maneira doentia, me sinto acolhida. Em seguida sou sugada pela sua capacidade de destruir com promessas.


Quanto tempo se passou para que eu estivesse inerte e machucada a ponto de não ver suas contradições.

Vivi por décadas como a menina que falava seu nome como uma canção de ninar,

Ao te proteger, eu me feria e meus sentimentos foram tão destruídos que tenho lembranças deturpadas de você.

Você me quebrou, me fatiou em quatro partes onde todas só lhe viam como vítima da sua própria prisão. Você criou essa história, acabe com ela agora.

O monstro que caminha ao meu lado, segura minha mão e me abraça é aquele que me rejeitou antes mesmo de eu ter contato com o mundo aqui fora.


Dentro de um ventre eu já não era mais do que uma obrigação, um pedaço de lembrança dolorosa, que ao invés de desenvolver-se normalmente, se partia para agradar aqueles que deixavam doente.

E quando tudo era caos, eu silenciava as vozes do lado de fora e normalizava não lembrar da infância, não lembrar das partes ruins ou boas, apenas não lembrar. Mas ter pesadelos que contavam uma história diferente.

E ainda arde o tapa no rosto e o palavreado solto enquanto eu já tinha traços de inquietação, nervosismo, apreensão durante sua presença.

E o tempo passando e eu dividida em quatro partes e mesmo que todas fossem machucadas igualmente por você, eu te defendia. Enquanto ninguém estava ao meu lado quando os cortes começaram e as ideações de acabar com tudo.

Segure minha mão agora e veja como é frio colocar o que se sente para fora.

Veja meus cortes nos pulsos e saiba que tentei acabar com tudo isso três vezes.


Mas eu sempre fui a dramática, melindrosa, vitimista, a que agia de má-fé, que pegava o que não pertencia, que não tinha uma face honesta.

Qual face eu deveria ter dentro de um ambiente onde a mentira era comum?

O sangue corria no rosto, nas costas, no ouvido, mas o sorriso corria na rua, ao cumprimentar as pessoas que não fazia ideia do inferno que foi viver com vocês.

E qual das quatro eu devo escolher agora para lidar com todos vocês?

Acho que chegou a hora de eu me afastar de todo dano e dor que vocês me causam, as cicatrizes ardem, corroem e eu adoeço.

Meu maior erro foi não ter sido tirada de vocês antes do tempo, pelas mãos da senhora que talvez parecesse louca, mas na verdade não queria que eu enlouquecesse.


Está na hora de acabar comigo através de vocês. Está na hora de acabar com vocês através de mim.

Eu não serei mais um boneco manipulável. Aceitem minha ausência como um prêmio de consolação.

O que me destruiu não foi tentar sobreviver com vocês, não.

O que me destruiu foi não ter acabado comigo mesma antes.

O que me destruiu não foi tentar sobreviver com vocês, não.

O que me destruiu foi não ter acabado comigo mesma antes!

25 de janeiro de 2025

O fim

Você me olha e parece não perceber o dano causado.
Normaliza os dias com meus sentimentos silenciados,
mas eu não estou mais presente como antes, talvez eu já não te queira tanto,
acho que estou tentando manter minha vida nos trilhos, achei que você queria isso também.

Partilhei com você tantos segredos, tantas histórias.
Achei que iríamos construir um romance completo, mas tudo se quebrou, 
suas palavras de certeza não me afirmam nada, 
sinto medo do que ando pensando quando você está por perto. 

Seus abraços não me mantêm mais segura, 
seus beijos já não me fazem querer flutuar.
A minha indiferença não lhe afeta de tão focado em si mesmo,
talvez o fim seja a melhor maneira do recomeço.

23 de dezembro de 2024

Permanente

Parece que isso vai viver dentro de mim para sempre, 
e como eu lido para o coração não sentir um mão fria congelando todos meus sentimentos? 
Meu cérebro repete que tudo vai ficar bem, mas nada fica.
Cada recaída é como me jogar no precipício, 
e todo dia eu vejo isso do início. 

Não há medicamento que sane essa dor, 
não há mais perdão ou autopiedade,
já chega dessa conversa de que o tempo cura feridas e traz maturidade,
se quando criança não tive essa cura, nada vai curar o que me foi tirado. 

Eu só querida ter o direito de sentir uma felicidade que não tem fim,
sem substâncias, sem enganação, sem internamentos, sem desesperos, sem medo.
Eu não aguento mais guardar esse segredo, porque dentro de mim eu já não sei mais o que fazer,
anestesiar a dor não vai reverter o que em mim foi cortado e retirado,
é como se faltasse um pedaço de mim,
é como se pra sempre eu fosse viver assim.

17 de dezembro de 2024

Quero me libertar

Eu me perdi por instantes,
estive completamente absorvida em meu caos e dor,
queria sair do meu corpo e parar de sentir tanta dor e dormência.
Queria me libertar.

Eu me perdi por instantes,
caminhei nas direções erradas, 
encontrei pessoas tão ou mais perdidas que eu,
me envolviam em seu caos e eu não conseguia me retirar delas.
Queria me libertar.

Eu me perdi por instantes,
fiz decisões tão complicadas e não consigo me lembrar porquê,
tento voltar atrás e alguém me diz que pode ter sido um surto,
então emudeço e luto pra que isso não aconteça mais.
Quero me libertar.

12 de novembro de 2024

Restos

Vivemos uma vida numa velocidade que não imaginamos que perdemos pequenas coisas correndo atrás de grandes momentos,

As grandes partes, as grandes conquistas estão nos sorrisos depois de uma maneira realista de ver que certas lembranças tristes não foram tão tristes, assim como lembranças felizes, não foram tão felizes assim.

Parece estranho? Parece.

Mas quando a gente cresce, vamos diminuindo os pequenos momentos, as pequenas vitórias, agindo como se grandes carreiras e realizações de conquistas fossem algo que nos fizessem sentir a plenitude do ser.

Mas não, as pequenas conquistas é o que você vai levar com você pro resto da vida, quando na sua cabeça restarem apenas restos de memórias do seu ser.

Aprender a andar, o primeiro sorriso, covinhas nas bochechas, abrir os olhos ao amanhecer, se espreguiçar antes de levantar, avião na boca pra comer, o primeiro banho sozinho, a primeira vez que você anda de ônibus, o cheiro da primavera, ouvir o eu te amo dos seus pais, datas comemorativas em família, cheiro dos tios, tias e avós, tudo isso é muito maior do que o que você pode estar construindo agora.

Enfenda, não é desvalorizar o que se conquista, é entender que os valores que o dinheiro paga são apenas valores de manutenção, a verdadeira vida está ali no resto da lembrança que na velhice você vai olhar e pensar "eu vivi muito e nunca foi em vão".

Aproveite os sorrisos, os abraços, as comemorações, os beijos, os sonhos, se espreguice mais, se olhe no espelho, diga mais que você ama as pessoas que te amam, fale mais sobre sentimentos e emoções, porque o que nos mantém a gente corre atrás, mas as pessoas que se vão, nunca poderemos trazer de volta!

Dê valor às pequenas coisas. Aquelas coisas que muitos chamam de resto.

16 de janeiro de 2020

Quebra cabeças

Estive anos e anos debaixo de uma grande árvore que jurava que debaixo dela eu poderia ter a sombra mais fresca e maior de todo o jardim. Mas sempre via dona coruja sobrevoando e um pequeno beija-flor que, olhando para mim, diziam para não ter medo, pois havia segurança longe da grande árvore, mas eu temia a força do brilho do sol, não conseguia ver tanta liberdade quanto a dona coruja e o pequeno beija-flor. Em minha pequena bolsa carregava pedaços, não sabia o que significavam, alguns muito escuros, outros claros demais e outros confusos e abstratos. A grande árvore me dava peças, a maioria escuras e outras abstratas e eu, na minha pequena e - para mim - insignificante existência, achava que de nada serviam, mas recebê-las me manteria segura e fresca debaixo daquela grande árvore. Logo brotaram galhos e mais galhos e o espaço entre a árvore e eu foi ficando maior e eu já não mais ouvia, a grande coruja com seus olhos atentos e protetores dizia para sair dali, para deixar o medo de lado e o pequeno beija-flor me dizia para andar, dizia que eu tinha um grande brilho que a árvore queria ofuscar. Um dia a coruja tomou coragem e me disse:
- As peças dessa sua bolsa são quebra cabeças, você deve montá-lo ao seu modo, pode usar as mais escuras e ver as mais claras, pode usar as abstratas ou simplesmente criar seu modo de ver, desde que não se prenda àquilo que ofusca você.
Eu finalmente decidi ouvir a linda e sábia coruja e montei o quebra cabeças do meu jeito, deixando as escuras me guiarem até as abstratas e chegar até as mais claras, vi que a montagem desse quebra cabeças permitia que visse meu reflexo, o beija-flor perplexo e feliz cantava que eu havia conseguido, em seu canto ouvia choros que eram de alegria. As partes escuras eram reflexo daquela grande árvore e então eu pude perceber o brilho que tinha. Somos feitos de sombras, mas não quer dizer que o sol nos fará mal, devemos ouvir os conselhos sábios e nos apegar aos beija flores que chegarão para nos encorajar, devemos olhar nos olhos das corujas e acreditar que é possível voar. A árvore não era mais minha sombra, não era mais meu lugar, percebi que poderia ser muito mais que uma pequena bolsa cheia de peças, eu podia brilhar.

2 de outubro de 2019

Sobre heróis ou algo assim

Horas parada olhando as marcas nos braços, as cicatrizes nos pulsos e cheia de lembranças de um passado não tão distante,
essa dor de angústia é uma arma cortante que me faz acreditar que afaga a pele,
mas me fere, me destrói, me desmonta e corrói tudo aquilo que eu demorei anos pra construir.
Vocês não vão chegar, vocês nunca estiveram aqui.

Os gritos na madrugada que perfuravam os ouvidos, os pesadelos repetidos e tão implacáveis quanto as marcas antigas,
embora estivesse com vida, não havia mais motivos para sorrir.
Arrastando seu corpo tão definhado quanto sua alma e mesmo que os olhos transparecessem calma,
não havia mais nada ali.
Vocês não vão chegar, vocês nunca estiveram aqui.

Em sonhos vinha um pouco de fé, de motivos para continuar ali e ficar de pé,
mas de que adiantava olhar para o céu se suas lágrimas embaçavam as imagens que os olhos acreditavam que poderiam tocar,
você está sozinha e sempre vai estar,
tão frágil e esperançosa com as mãos trêmulas e raivosas por acreditar em histórias felizes,
mesmo que na memória só habitem cicatrizes, ainda esperava que eles fossem chegar.
Seus heróis não virão te segurar.

Quando a dor começou a tirar tudo o que restava de bom,
a vida mudou de tom e tudo entrou numa escala de cinza escuro e o coração tão puro se deixou levar pela dor de existir,
se questionar pra que continuar, pra que prosseguir,
esperando que um fio de vida viesse mudar seu passado.
Um coração tão condenado a adversidades, contratempos e amargura,
gritava que o amor poderia ser a cura, mas não havia mais amor por ali.
Eles não vão chegar, eles não estão aqui.

Uma juventude roubada jogada a um futuro audaz, cruel e torturante,
remédios que tornaram os momentos bons um pouco mais duradouros, 
poupou tempo, pensamento e cortou o choro,
não existia mais nada ali, era só um corpo que buscava algo ao que se apegar, 
mas de que adiantava procurar coisas que nunca a quiseram ali?! 
Seus heróis não vão te ver seguir.

Abrace a si mesma, console seu próprio coração,
foi dessa forma que a vida lhe ensinou a lição de que nem sempre estar sozinha é solidão.
Então não espere que alguém venha por aquela porta que dá acesso ao nono andar,
você tomou a decisão, fechou os olhos e abriu o coração e acreditou que iria voar.
Mas seus heróis não vieram... eles nunca vieram lhe buscar.

29 de setembro de 2019

Demasiada.mente

Os cortes se tornaram pequenos ensaios para um dia que a sorte resolva mudar.
Ainda tenho as cicatrizes dos machucados na minha alma, mas ninguém vê,
muitas vezes eu gritei de dor, mas nunca fui ouvida, muitas vezes eu fui chamada de dramática,
ninguém entendia a intensidade que eu amava, que eu sentia, que eu me machucava.
"Pare de se fazer de vítima!", a frase que ecoa na cabeça quando tudo dói.

Traços pequenos, quase retos, quase invisíveis nos pulsos de alguém tão triste,
que ainda existe num passado tão doloroso e cheio de marcas de lágrimas.
Eu ainda estou presa ao que aconteceu lá e hoje eu sei que sempre vou estar.
Eu gritei de dor, ainda sinto o gosto do veneno tomado na primeira dose para acabar com a dor,
mas não passava, eu apenas agonizava sentimentos que ainda me fazem viver ali.

Eu jurei pra mim mesma que não ia tentar de novo, 
mas lá vem os sentimentos descontrolados e os limites sempre ultrapassados por mim,
o carro acelerado, sinais fechados, mas o meu medo havia sumido,
eu queria fazer o mesmo que ele.

Os cortes se tornaram pequenos ensaios para um dia que a sorte resolva mudar.
E eu achando que nunca iria afundar de novo, mas nunca estive no raso,
eu nunca fui tão superficial, vaga, desabitada, desumana,
eu sempre fui muito mais profunda e minha intensidade inunda todo o meu ser.
Agora eu tenho muito mais marcas, muito mais cicatrizes, muito mais desistências
Eu achei que poderia mudar minhas essências, mas fui feita demasiadamente sentimental,
eu juro que não me faço de vítima, mas pra mim o amor sempre será fatal.

Meu limítrofe

Muitas vezes louca, muitas vezes contida
Às vezes tão certeza, outras dividida,
sou feita de momentos, incertezas tão certas
e pequenos surtos que me fizeram chegar até aqui.

Os pulsos com cicatrizes,
ainda me lembro o gosto daquelas doses altas
usadas para matar a dor que eu não sabia de onde vinha.
Mas não adiantou, eu ainda estou aqui.

Tantos anos para um diagnóstico,
uma tradução do que fui, do que sou e do que serei,
mas não conserta as dores que em mim foram dadas,
eu já vim de uma linha de crianças rejeitadas,
não era digna de ser amada, nunca fui.

E não adianta olhar pra trás e pedir desculpas,
eu nunca vou conseguir consertar e nem lidar com culpas,
culpas que herdei de uma lembrança tão ruim.
Talvez tenha que ser assim, talvez seja isso que resta de mim.

20 de setembro de 2019

Além dos olhos

Eu quero ser o motivo do desconforto, dos olhos emocionados e dos girassóis,
eu quero ser a saudade incontrolada, o grito, o choro e as lembranças dos nós.
Eu quero ser o laço, o abraço, o carinho, o muro pichado, o afago, o desperdício,
eu quero ser um impacto, um descontrole, uma distância e um pedaço de fé.

Eu quero ser o motivo de lembranças, fotos, páginas, textos e poemas,
eu quero estar em músicas, canetas, postais e toques de celular.
Eu quero ser o impacto que o mundo vai sentir como as asas da borboleta no oceano,
eu quero ser o futuro de um plano que nem sequer foi traçado direito.

Eu quero ser a viagem, o dom, o tom, a cor e a oração de alguém,
eu quero ser aquele desejo do bem, de quem, dos cem.
Eu quero passar por milhares de cabeças, por milhares de olhos, por milhares de lembranças,
por conta das circunstâncias até ali.

Eu quero ser a planta que cresce e arranca o coração pela raiz,
mas não na intenção de maltratar, machucar ou quebrar o amor de alguém,
eu quero ser o motivo que se ama além daquilo que os olhos podem ver.

6 de julho de 2019

Ser e estar

Sinto um aperto no peito que me tira o sossego em dois segundos de paz,
é como se faltasse o ar, o chão sumisse e tudo se desfizesse em minha coragem de sair.
Em pedaços meu coração me olha e diz que tá tudo bem,
todo mundo se despedaça um pouco antes de se reconstruir.

As escolhas machucam muito, parece que as decisões para amadurecer são facasa pontadas para nossos sonhos e planos que nos obriga a ir por um único caminho.
São medos, devaneios, desistências e saudades que ficam em nosso novo espaço,
e em segredo você sabe que vai ter que deixar partes suas nos lugares que talvez nunca volte.
Ou voltará?

Eu sinto tanta dor, tanta agonia, porque se eu encontrasse minha felicidade questionaria se teria que me partir tanto para conseguir o que acredito ser meu canto,
perguntaria se eu teria que abrir mão do estar para ser,
se a resposta fosse "sim" talvez eu não quisesse essas escolhas para mim.
Ou quereria?

As verdades que aparecem quando mudamos de lar machucam e a dor não cabe em meus braços.
Estou bem, eu prometo, mas me dói ver que estou partindo e que a distância geográfica me despedaça a crença de estar onde queria estar e poder ser ali,
eu não caberia mais em mim.

É que todas as escolhas que me fizeram optar por isso ou por aquilo,
por esses ou aqueles, me fazem querer entender o que é que a vida paga tanto pra ver,
desfazendo sorrisos, deixando a saudade ficar enorme, deixando a dor corroer no âmago,
eu ainda com medo, querendo estar em abraços que me protegiam do mundo, querendo poder conciliar tudo.
Mas ficou tão difícil conciliar, mas se eu pudesse faria um novo verbo que unisse o ser e o estar.

a saudade despedaça, quebra e torna tudo difícil.

19 de junho de 2019

Memórias

Então eu te vi tão apaixonada, amada e feliz,
vivendo a vida que sempre quis e jurando que nada poderia mudar,
acreditei nos seus sorrisos e nas certezas que você jurou pra mim
eu aceitei o mundo que você enfeitou, eu aceitei sim.

Eu te vi tão amordaçada, irritada e infeliz,
vi você gritar nomes, implorar consertos e buscar acertos,
eu vi você buscar ajuda e não aceitar, eu vi você tentar recomeçar,
mas os recomeços só te aproximavam do fim.

Eu te vi gritar, chamar por Deus, clamar, mesmo de coração ateu,
acreditar que as definições de amor seriam refeitas,
acreditar em promessas que eram desfeitas logo depois que os silêncios dominavam seu olhar,
eu tive medo de te perder, mas tive muito mais medo de você nunca mais amar,
de nunca mais conseguir olhar pra o céu como na primeira vez que te vi.

Eu te vi desacreditar, odiar, fugir, refugiar e perder todo o seu sentido,
eu vi você se perder, se deixar e levar meu coração consigo,
e por alguns meses te vi chorar, sentir raiva, sentir rancor, se desesperar,
eu ainda torço pra que você se reconstrua e eu sei que você vai conseguir,
mas eu quero que você volte a amar com coração, quero que você se ache no lugar que resolveu partir.

17 de maio de 2019

Recordações me matam

Quando você estiver lendo essas palavras, por favor entenda, que verso em verso estou sangrando.
Sangro as emoções, os sonhos, os desejos, os anseios que você inspirou em mim,
cada palavra, cada certeza, cada tremor em minhas mãos,
é a incerteza quase certa que transbordo todo o amor que em palavras vira emoção.

É tão eterno e terno esse amor que em mim habita por você,
que não importa quantos erros foram cometidos e comedidos,
é por você que ainda luto, levanto e saio e dou sorrisos.
Não tenha medo do quanto vou chorar, suas palavras e seus pés irão me fazer saltar.

E saltarei, eu saltarei com a certeza de que a vida ensina,
não com seu carinho, muito menos com o afeto que tinha em seu abraço,
mas eu não tenho medo dos laços, não tenho medo porque sempre fomos nós.
E mesmo que as histórias se descruzem, que os caminhos percam o compasso,
eu sigo os seus passos para acertar a nossa melodia de amar.

Embora algumas palavras tenham sido trocadas de maneira dolorida,
algumas não ditas, silenciadas e sufocadas em saídas sem voltas,
em partidas e gritos deixados em portas,
ainda sou a busca de acertar na vida, me tornando espumas num vento,
que num som atento pede pra vida pisar devagar.
Ainda tenho um coração frágil,
ainda sou como nossos pais.

6 de maio de 2019

Espadrapo e merthiolate

Houve um tempo em que o cheiro de cachimbo, misturado com a mania de estudo, somado a facilidade de aprendizado era tudo que eu precisava.
Houve um tempo em que gritos, chegadas tardias era tudo que eu não precisava.
Chegou ao ponto que somente a parte ruim, por mim, era recordada.
Embora me sentisse sozinha estando acompanhada, ao redor eu sentia que meu mundo desabava.

Eu nunca entendi direito o que devia ser perfeito apenas ressaltava defeito de duas vidas, que o destino unia.
E de duas se tornaram quatro que viviam num curto espaço repleto de amor e agonia.
Um herói que largava a capa, uma rainha que deixava a coroa,
Embora duas pequenas vidas sofressem a toa, sem nem saber o que o destino reservaria.

Ainda existe um poço de dor, de ressentimento, de descontentamento com tantas ruínas que o destino deixou para trás,
Ainda sinto resquícios de um amor que não retorna mais,
Ainda habita em meu coração uma lembrança boa preenchida de razão que contempla os caminhos separados,
Mas o destino sabia que até meu coração tinha sido separado?
Não sei, não consigo entender.

Ainda me recordo dos perfumes, cremes, roupas estampadas, calças bem passadas e risadas abafadas na hora de dormir,
Me vem a memória uma mesa recheada, algumas fotos rasgadas e uma decepção que me tirava até o direito de sorrir,
Via todo dia uma imagem que se foi, via todo dia uma rotina que não queria.
Embora estivesse acompanhada, me sentia tão sozinha,
Mesmo sabendo que ao meu lado alguém sentia uma dor igual a minha,
Que se fortaleceu pra equilibrar, mas não imaginava o quanto a força poderia afundar e soterrar raivas não sentidas.
Ainda lembro de portas fechando, gritos, frutos do mar e partidas.
Ainda me dói a dor de ter dado um pause seguido de stop de duas vidas.

29 de abril de 2019

Dói

Reviro gavetas, abro portas, fecho janelas, olho em volta e não consigo achar.
Procuro por toda casa, tiro até mesmo o sofá de lugar só pra ver se consigo encontrar,
Aquela coisa que vai me ajudar a parar de sentir essa angústia, agonia, que também afeta minha respiração,
Eu tô procurando por todo canto, mas não sei nem o que é, até então.

Eu olho pros lados, visito parques, lojas, e tantos lugares e ainda sinto essa dificuldade,
Eu não consigo respirar, já fui em médicos, curandeiros, em tanto lugar,
Mas ninguém consegue descobrir o que causa isso.

Então eu paro, olho pro céu, fecho os olhos e puxo com toda vontade o ar,
Não consigo, dói, falta alguma coisa, falta algum detalhe,
E de repente uma voz sussurra sem nenhuma maldade:
Essa dor é a dor da saudade!

27 de abril de 2019

Amar alguém

Embora tão jovens e inocentes um elo se faz,
um ciclo se cria e numa noite um tanto fria eles se encontram.
Uma história de amor que parecia tão juvenil,
tão adolescente e levemente infantil se torna uma realidade.

Embora tão jovens, mas não tão inocentes assim,
entendem o que é entregar a alma à alguém,
entendem o que é se abrir tão profundamente que não resta mais nada,
não há mais nada para esconder.

E se fosse para escolher de novo, você me escolheria?
E se a noite não tivesse fria, me acolheria em seus braços,
moveria meu coração no compasso do seu só pra me fazer entender que eu não estou mais só?
Eu achei que não iria conseguir amar outra vez com um coração partido,
mas você conseguiu unir duas partes que pareciam não se encaixar mais.

Embora tão jovens, já cientes da responsabilidade de amar alguém.

25 de abril de 2019

Eu sei que aí de cima você sorrir e zela,
em proteção nos induz a acender velas e rezar por aqueles que nos cercam,
sei que dentro deste seu coração ainda habita tanto amor,
que não pôde nos deixar, ainda sinto sua presença por aqui.

Talvez cedo, talvez tarde.
Talvez daqui a pouco ou mais tarde a gente se encontre,
em sonhos, visões, previsões e pressentimentos,
e cada minuto, segundo e a todo momento
eu posso sentir sua imensidão em mim.

É uma grande responsabilidade essa,
que tão logo assumo, mas sem muita pressa,
porque sei que você já conhece os meus limites.
Até meus medos você teve o cuidado de tratar,
até meus segredos de oração soube desvendar,
eu não sei expressar o quanto desejei que estivesses aqui.

Ah, minha vó, eu ainda morro de curiosidade,
de saber tudo sobre suas crenças e sua fé nas divindades,
e como conseguia conter tudo aquilo ali, dentro do coração e da cabeça,
e mesmo que espiritualmente eu cresça, acho que nunca vou descobrir.
Mas saiba vó que meu coração segue como teu, dissipando toda maldade
e no dia que te encontrar, ouvir sua risada e sentir seu cheiro vou então dizer
"Pô, vó que saudade!"

14 de abril de 2019

Aprofunde-se

Menina, eu aprecio cada detalhe dos rostos, gostos, gestos e inquietudes do ser,
estamos aqui com a missão de mergulhar profundamente na alma do outro,
não teria sentido algum amar alguém e não se aprofundar em cada vida que nos toca.
As pessoas são as digitais que ficam nos vidros, espelhos e qualquer ponto que reflita.

Menina, mergulhar raso nas pessoas não salva vidas.
Você pode jurar que não é seguro, que vamos nos magoar, que não é justo se entregar,
mas você tem que entender que é no se entregar que descobrimos até onde a intensidade pode chegar,
somos moldados para a profundidade, intensidade e proteção construída de sorrisos e sonhos.

Viver pode causar medo e até mesmo vontade de desistir de tanto se questionar,
mas são nos questionamentos que encontramos um novo lugar, um novo momento para alcançar tudo o que juraram ser inalcançável.
Toque o outro com todo o seu tato, leia os gestos, sonhe os sonhos e não se diminua por ser tão diferente em sua maneira de amar,
estamos na vida para ajudar, para salvar, para se aprofundar. 

Não vou ousar lhe falar das vezes que me machuquei de tanto acreditar em quem me rodeava,
mas devo repetir incansáveis vezes que cada tropeço da vida, mesmo me deixando do avesso, me trouxe uma lição que deveria ser aprendida.
O mundo se encontra numa distância de dois passos, menina, não tenha medo de conhecê-lo. 
Se um dia você pensar que sua existência vai ser machucada por tantas partidas,
lembre-se sempre que mergulhar raso nunca vai salvar vidas.

13 de abril de 2019

Kamikaze

Você vai de 0 a 100 em alguns milésimos de segundos,
vai se olhar no espelho e nunca vai se sentir satisfeita ou completa.
Sempre vai ouvir pessoas dizendo que você não é isso, você não é capaz disso,
muitas vezes as estrelas se tornarão apenas borrão no céu que brilham,
mas ainda existe luz ali, ainda existe.

Você vai sentir vontade de soltar o volante que dirige a vida,
e vai querer ser levada de acordo com o que estiver ao seu alcance,
vai achar que é somente isso, somente moleta e não sentirá mais nada,
o medo de que essa sensação nunca passar será enorme,
mas ainda existe luz ali, ainda existe.

O seus olhos irão perder um pouco do brilho, algumas marcas serão auto infligidas,
mas não quer dizer que você seja fraca, que nunca consiga ser o suficiente.
Isso quer dizer que você está passando por estágios da vida que não são fáceis,
não importa se pra outros foi muito simples, o que importa é você.
Ainda existe luz ali, ainda existe.

Tudo bem se você não tiver bem, tudo bem se você quiser chorar,
tudo bem se seu cabelo estiver desarrumado, se você se magoar com uma forma de escrever,
com um "boa noite" que não foi dito, com uma ligação não atendida.
A vida é um kamikaze, menina, mas ainda existe luz ali.
Ainda existe luz aí.

Auxílio

Eu acreditando em tudo, desafiando o mundo e garantindo que não ia me machucar,
mas a vida me nocauteou mais uma vez e agora eu já não tenho tanta força de me levantar,
é como se a vida nunca permitisse que eu mudasse de lugar,
fosse sempre um mero auxílio de quem precisa, mas nada além disso.
Nunca serei além disso.

É como se quando finalmente encontrasse um lugar no ônibus,
a vida respondesse com um aviso de "reservado",
e novamente a minha escolha não vai ser ouvida,
sou apenas uma testemunha muda de um crime que nem sei se cometi.

Há tantos medos e marcas que não cuidei,
vejo olhos ao redor se aproveitando disso, e eu achando que falar sobre isso iria ajudar,
mas são palavras que outra pessoa irá usar e infelizmente usará contra mim.
De novo acorrentada em meu passado, meu coração quebrado,
minh'alma se deixando levar.
É no fundo do poço. É o fundo do poço que é meu lugar.